Embaixada de Portugal em Estocolmo - Suécia

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Breve abordagem histórica das relações diplomáticas Portugal - Suécia

Os contactos entre Portugal e a Suécia são antigos e, apesar das relações diplomáticas terem sido estabelecidas oficialmente só após a Restauração (1641), podem encontrar-se alguns testemunhos, ainda que esporádicos, de encontros entre os dois povos, ambos com forte tradição marítima. No entanto são muitas vezes considerados "contactos esporádicos e sem continuidade, (...) muitos deles fruto do fluxo de estrangeiros que acorriam ao nosso país atraídos pela fama do Infante e pelo desejo de fazerem fortuna. (1)

(1) In Dicionário da História de Portugal, Joel Serrão, pg. 96
 


Europeam sice Cetican Veterem, sic describere conabar Abrahamus Ortelius), Hondius, Amsterdam, ca. 1640

 

Um dos primeiros testemunhos surge aquando da descida dos Vikings do Norte com a meta final de atingir a cidade de Bizâncio (actual Istambul). Na trajectória terão passado por Portugal nos Séculos IX, X e XI, e segundo a lenda, terão mesmo lutado ao lado das forças de Dom Afonso Henriques no combate aos Mouros.

No século XVI a missão comercial portuguesa em Antuérpia enviou à Suécia Damião de Góis, com o objectivo de sondar as oportunidades de negócio, mas não há qualquer confirmação de que se tenha encontrado com o Rei Gustavo Vasa, primeiro monarca do reino independente (até 1523 a Suécia encontrava-se ligada à Noruega e Dinamarca).

Da viagem, da qual não existem registos, parece ter resultado, no entanto, um livro da autoria de Damião de Góis sobre as condições na Lapónia "Lamentações da miséria do Povo Lapão" (Deploratio Lappianae gentis). Apesar de não se confirmar se as informações foram obtidas através de outros elementos, parece que Góis viajou até Torneå.

 

A descrição da situação na Lapónia foi publicada em 1540 e traduzida por Gösta Thörnell, pela primeira vez para sueco em 1915.

Mérito ou não de Damião de Góis, são conhecidas as tentativas que se haviam feito na mesma altura para o estabelecimento de relações comerciais com a Península Ibérica, particularmente com Portugal, para onde se exportariam artigos de madeira e cobre, recebendo-se em troca vinho, frutas e o cobiçado sal da costa setubalense. Com Gustavo Adolfo esse desejo aumentou, mas a situação política da Europa tornava impossível qualquer entendimento.

A Suécia e a Espanha encontravam-se envolvidas na Guerra dos Trinta Anos, em campos opostos, o que levou Guilherme Usselinx, fundador da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais e também da Companhia Sueca a Sul, a apresentar ao Rei Gustavo, em 1629, um projecto para atacar Portugal com uma esquadra que partiria de Gotemburgo, plano que se crê fosse a renovação do que alguns anos antes, ele próprio, Usselinx, já apresentara ao Príncipe Maurício de Nassau. E em 1635, ao Chanceler Axel Oxenstiern, fora sugerido o envio de uma esquadra franco-sueco-holandesa à costa de Portugal, para alí se estabelecer uma "testa de ponte". Nenhum destes planos foi, no entanto, concretizado.

Foi a restauração da independência de Portugal em 1640 que impulsionou uma aproximação diplomática dos dois Reinos. Logo em princípios de 1641, a hostilidade dos Estados escandinavos à Espanha, a eles contraposta na Guerra dos Trinta Anos, levou D. João IV a enviar uma embaixada à Dinamarca e à Suécia, com o ensejo de, junto dos monarcas inimigos de Espanha, procurar reconhecimento e aliados.

Por outro lado, tivera notícia da satisfação causada na Europa nórdica a revolução portuguesa e dos esforços dos suecos para entrarem em relações com Portugal, sobretudo, como afirma um historiador contemporâneo, por motivos comerciais, na esperança de conseguir que os seus súbditos conseguissem permissão para comercializar directamente com as colónias portuguesas, até ali ciosamente encerradas aos estrangeiros. O ensejo de tal permissão e obtenção de autorização dominou, pela parte sueca, o ensejo de reforçar os laços diplomáticos entre os dois países.

A missão enviada à Escandinávia, chefiada pelo Embaixador Francisco de Sousa Coutinho com o apoio do seu secretário Dr. António Moniz de Carvalho, da Relação do Porto, partiu de Lisboa a 18 de Março de 1641. Após paragem em Copenhaga - onde a missão não teve resultados positivos porque o Rei Cristiano IV estava interessado em celebrar um acordo de Comércio com Filipe IV e não queria por isso ferir susceptibilidades, para além da sua pretensão de medianeiro no conflito europeu - a missão seguiu rumo a Estocolmo onde chegou a meados do mês de Maio do mesmo ano.

A Rainha Cristina recebeu a Embaixada a 10 de Junho de 1641, havendo registos de "uma recepção magnífica". Na ocasião, Sousa Coutinho entregou à Rainha uma oferta do Monarca português: dois vasos chineses (Dinastia Ming, Wanli 1573-1619), que se encontram hoje no Museu de Antiguidades Orientais de Estocolmo e que constituem duas das mais apreciadas peças do espólio daquele Museu.

Museum of Far Eastern Antiquities (www.mfea.se)

 

Sousa Coutinho foi depois recebido pelo Conselho, onde apresentou as propostas que trazia do seu Soberano:

  1. Aliança ofensiva e defensiva entre Portugal e a Suécia;
  2. A inclusão de Portugal no tratado de paz que viesse a ser assinado com o Imperador (tentativa de incluir Portugal nas negociações que conduziriam à Paz de Vestefália) e inclusão de uma cláusula sobre a libertação de Dom Duarte.

Após diversas sessões e negociações que decorreram entre os dias 10 e 29 de Julho, e durante as quais se debateram questões de interesse comum em várias áreas, assinou-se o protocolo do tratado, do qual se destacam as seguintes cláusulas:

  1. Paz e amizade;
  2. Portugueses e suecos poderiam entrar e sair livremente dos portos de cada um e vender os seus produtos pagando os direitos que pagassem a outras Nações amigas;
  3. Entrada de armas, munições e cereais da Suécia em Portugal livres de direitos;
  4. Nomeação pelo Rei de Portugal e pela Rainha da Suécia de um representante que protegeria as pessoas e a propriedade dos seus súbditos no país do outro;

No entanto, as diligências portuguesas sobre dois dos principais temas que constituíam objectivos primordiais da missão que levara a Embaixada de Sousa Coutinho a Estocolmo não tiveram resultados positivos. Nem a respeitante à admissão de Portugal nas negociações de Vestefália, nem a que teve por objectivo a libertação do Infante D. Duarte, irmão de Dom João IV. Também não teve seguimento positivo e bom acolhimento por parte da Suécia o pedido de mediação relativo ao conflito que então existia com as Províncias Unidas. Depois de concluídas as negociações, e após comprar muito armamento e pólvora, que seriam liquidadas em três prestações, Sousa Coutinho deixou Estocolmo a 20 de Agosto de 1641. Acompanhou Sousa Coutinho na viagem de regresso a Lisboa Lars Skytte, nomeado residente na capital portuguesa, que, da Rainha Cristina, levava as seguintes missões:

  1. Entrega do armamento: Do armamento recebido da Suécia, constavam 200 canhões, dos quais é conhecido o paradeiro de 3 em Portugal (o grande canhão do Castelo de São Jorge, em Monsanto e em Castelo Branco) e 2 em África (um no Forte de Bissau e outro em Cabo Verde);
  2. Cobrar o seu pagamento;
  3. Reportar sobre a situação comercial e política do Reino.

Em 1646 colocou-se mais uma vez a questão da liga formal de Portugal com a Suécia a que o chanceler da Rainha Cristina respondia com sucessivas evasivas, evitando a sua concretização, tendo no entanto aceite a ideia de uma aliança para mútua ajuda, tendo as negociações sofrido atrasos porque a parte portuguesa sempre se recusou em dar o consentimento para os navios suecos navegarem para as colónias portuguesas. Se da parte portuguesa eram evidentes as frustrações relativas às suas pretensões, a Suécia continuava insatisfeita com a continuação do bloqueamento do acesso directo às colónias.

O novo enviado português, Dr. Guimarães, voltou a Lisboa em 1649. Quase ao mesmo tempo foi enviado pela Corte, como residente em Portugal, João Frederico Friesendorff com a missão de, entre outras, estudar as questões comerciais com o nosso país, nomeadamente a navegação nas colónias.

As relações entre os dois países iriam deteriorar-se, porém, em 1653, na sequência de um episódio na residência do então representante português Desembargador António da Silva e Sousa que era considerada das mais agitadas da Restauração. Na noite de 25 de Junho de 1653 o Embaixador espanhol dirigiu ou tolerou um grave desacato ao Residente. Estava o Ministro ceando quando a sua casa foi inopinadamente atacada por um grupo de cinquenta espadachins. A decisão, o desembaraço e a valentia dos nossos, levando à frente o Plenipotenciário, repulsou os assaltantes. (2)

(2) As relações de Portugal com a Suécia durante a Restauração, Academia Portuguesa de História, Durval Pires de Lima.

O escândalo público levantou grande celeuma em Estocolmo, a ponto da Rainha manifestar o seu desgosto pelo atentado. Contudo, a passividade do Governo sueco em condenar os autores e o presumível autor do crime levou Vieira da Silva a admitir a hipótese de suspendermos as relações diplomáticas com a Suécia, o que não veio a concretizar-se.

Em 1654, (sendo ainda representante português em Estocolmo o desembargador António da Silva e Sousa) a rainha Cristina, ao que parece por influência do Embaixador de Espanha, deixou de reconhecer Dom João IV, designando-o como "pretenso Rei de Portugal" e "usurpador do reino", tendo escrito de Uppsala que a presença do representante português era inútil porque tinha resolvido "ne recognostre plus pour Roy de Portugal le Duc de Bragance: puis que c'est une qualité Qui n'appertient qu'au Philipe Roy d'Espagne"..

As relações diplomáticas regressariam, porém, à normalidade, pouco depois, durante o reinado de Carlos X, que sucedeu a Cristina, apesar de antes de abdicar a Monarca ter garantido que o seu sucessor trataria o Duque de Bragança da mesma forma: não o reconhecendo. No entanto o seu sucessor, Carlos X, não iria respeitar as suas pretensões. Aliás, a Rainha terá a certa altura mostrado arrependimento da sua atitude e solicitou ao primo que remediasse o seu desastrado proceder mal subisse ao trono. (3)

(3) As relações Portugal com a Suécia durante a Restauração, Academia Portuguesa de História, Durval Pires de Lima.   

Ainda antes de ser coroado, Carlos Gustavo, escreveu a Silva e Sousa prometendo anular a decisão da Rainha logo que subisse ao trono, fazendo com que o representante português permanecesse na Suécia até 1659.

Como refere Durval Pires de Lima na publicação da Academia de Portuguesa de História "As relações entre Portugal com a Suécia durante o período da Restauração", apesar das duas Nações seguirem destinos diferentes e da vintena de anos que se seguiram à restauração ter sido problemática, em que ambas defendiam como era natural determinados interesses antagónicos, ficou a amizade nascida nas horas mais difíceis da luta com Castela. Se não obtivemos tudo quanto se enumerava nas instruções dadas a Sousa Coutinho, (...) devemos à Suécia todavia o primeiro triunfo diplomático da Restauração. Foi devido aos escandinavos e à sua Rainha, aos esforços dos seus Ministros em Osnabruck e à acção dos nossos em Estocolmo que no primeiro diploma oficial dos Tratados de Vestefália, o Duque de Bragança recebeu a designação de Rei de Portugal. Volvidos oito anos, na tarde de 14 de Outubro, os suecos responderam galhardamente ao apelo que a Nação portuguesa formulara na manhã pura e alegre de Dezembro, ao sacudir o jugo de sessenta anos de cativeiro (...).

O famoso tratado de 1641, só no reinado de D. Pedro II foi confirmado (1709), e apenas muito mais tarde (em 1791) foi nomeado o primeiro representante português ao seu abrigo (António de Souza Botelho), embora a Suécia já tivesse desde 1757 enviado um seu representante para Lisboa. Não é alheio a este facto, as conversões de Lars Skytte e da própria Rainha Cristina ao catolicismo. O primeiro na sequência da sua estadia em Portugal, na qualidade de primeiro representante comercial da Suécia em Portugal, e no segundo caso, para muitos influentes na Coroa, na sequência de contactos da Rainha de um eclesiástico português, Padre António Macedo, jesuíta e ligado à legação portuguesa em Estocolmo.

As relações diplomáticas entre os dois países decorreram desde então em cordialidade, tendo no final do século XIX sofrido um impulso com as seguintes visitas bilaterais:

  1. A visita do príncipe herdeiro da Coroa portuguesa a Estocolmo (Outubro de 1883);
  2. A visita oficial do Rei Dom Luiz à capital sueca;
  3. A visita oficial do rei Oscar a Portugal, a primeira de um monarca sueco ao nosso país. 

É de notar, igualmente, as boas relações que o então chefe da "Legação de Portugal na Suécia e Noruega", Embaixador Soto Maior, parecia ter estabelecido com o Monarca sueco.

 

Embaixador Soto Maior

 

A 11 de Junho de 1883, o Embaixador Soto Maior reportava para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, um encontro que tivera com o Rei Oscar:

(...) Encontrei-me hontem com Sua Magestade na Praça de Carlos 13, a dous passos da minha porta. S. Magestade disse-me "entrons chez vous". O Rei Oscar teve a bondade de me informar do seguinte: M. Mantiuou a écrit de Lisbonne que le Prince Royal Dom Carlos viendrait ici le mois prochain. Mon Ministre à Madrid vient d´écrire qu´il a vi le Roi Dom Luiz, que Sa Majesté lui a dit que son fils, le Prince Royal, serait porteur d´une lettre de Sa Magesté pour moi. (...)

Dom Carlos

 

A visita do Príncipe herdeiro concretizar-se-ia em Outubro de 1883 e foi considerada pelo Embaixador titular Soto Maior como "sem precedentes", reportando ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que "em parte alguma Sua Alteza foi ou será recebido com maior pompa e aparato, com maiores cuidados e atenções":

(...) "Vi aqui o Grão Duque da Rússia, hoje Imperador, o Príncipe Real da Dinamarca, o Príncipe de Galles, o Príncipe Imperial da Alemanha (...) e Príncipe algum foi recebido com as honras feitas a Sua Alteza (...) . (4)

(4) Comunicação do Embaixador Soto Maior ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, 17 de Outubro de 1883.   

A confirmar tão especial tratamento está a descrição do Embaixador Soto Maior, que acompanhou O Príncipe herdeiro na viagem de Malmö a Estocolmo, descreve a forma como Dom Carlos foi recebido na estação central de Estocolmo:

(...) Chegámos a esta capital às 10 horas. Na estação estava S. Magestade com os Príncipes, Condestável-mor, Ministros, Generais e Almirantes, etc (...). O Rei Oscar abraçou affetuosamente o nosso Príncipe aprezentou-lhe seus filhos, com principaes signatários da sua Corte. A guarda de honra inclinou a bandeira e tocou o hymno português. (...) A Rainha recebeu Sua Alteza com extrema afabilidade, com carinhos, pode-se dizer (...). (5)

(5) Comunicação do Embaixador Soto Maior ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, 17 de Outubro de 1883.

A visita oficial do Rei Dom Luiz a Estocolmo, terá contribuído para o aprofundamento das relações entre os dois países, tanto mais que as suas relações com o Rei Oscar foram, em diversas ocasiões, caracterizadas de "excelentes". Tanto a nível oficial como mesmo pessoal.

Dom Luiz

Na sequência da visita, a folha oficial sueca publicava o seguinte artigo que reflecte a boa impressão causada pelo Soberano português em 1886:

(...) O Rei Dom Luiz de Portugal deixou à meia noite e meia a capital sueca. O Rei deixou aqui as recordações mais agradáveis. Todos os que tiveram a honra de se aproximar ao rei de Portugal tiveram oportunidade de constatar a nobreza da sua personalidade e da sua "bienveillance", que não tem apenas uma expressão exterior, mas que é essencialmente proveniente do seu coração". (...)

(...) O Nosso Rei e a Nossa Rainha fizeram provas da sua simpatia e das suas ligações calorosas. Deixaram a Sua residência de Verão de Öresund para se deslocarem à capital e assim se encontrarem com o Ilustre viajante. (...)

(...) Temos razões suficientes para estarmos persuadidos de que a visita do Rei de Portugal foi muito apreciada pelo próprio. Se, como esperamos, a visita real contribuir para relações comerciais mais intensas entre a Suécia e Portugal, ela trará igualmente vantagens para os dois países, cujos soberanos tiveram oportunidade estes dias de renovar e de reafirmar os laços de amizade que os unem desde há muito (...). 
in "Folha Oficial", Estocolmo 1886

A implantação da República em Portugal não constituiu um factor relevante para as relações diplomáticas entre os dois países. Apesar de desaparecer uma monarquia na Europa, o Reino da Suécia aceitou a mudança, considerando-a como "legítima e emanada do povo" . (6)

(6) Carta de felicitações do Rei Gustavo da Suécia ao então recém eleito Presidente da República, Manuel de Arriaga, datada de 10 de Junho de 1912.

Foi com a posterior ascensão de António Oliveira Salazar ao Poder que as relações entre os dois países entraram numa fase de algum congelamento e por vezes de tensão. A Suécia tinha-se transformado numa das nações mais ricas da Europa, com elevado perfil internacional e entrara numa fase de empenho nos esforços em prol da democracia, nomeadamente nas antigas colónias portuguesas. Assim a pressão internacional contra a colonização e o apoio aos movimentos de libertação, directo e indirecto (mas nunca em armamento) criou frequentes embaraços às autoridades portuguesas, nomeadamente nos fora internacionais (nomeadamente nas Nações Unidas).

Foi nesta fase que foram sendo desenvolvidos contactos com a oposição portuguesa ao regime. Em 1967 ocorreram os primeiros contactos de responsáveis do Partido Social Democrata sueco com Mário Soares, figura proeminente na luta contra o regime. Mário Soares foi então convidado a visitar Estocolmo pelo então primeiro-ministro sueco Tage Erlander. Durante a visita manteve encontros com Olof Palme, que seria posteriormente eleito PM, e criou deste então laços pessoais com um dos mais destacados democratas suecos. Palme viria a ser o primeiro Chefe de Governo estrangeiro a visitar Portugal depois da revolução de 25 de Abril de 1974, pressionando os políticos portugueses a organizarem eleições para uma Assembleia Constituinte no ano seguinte. Desde então iniciou-se um período de visitas recíprocas.

Foi igualmente nos anos imediatos à revolução, que para os democratas suecos, apresentavam sinais preocupantes, que Olof Palme decidiu promover um encontro de chefes de Governo e líderes social-democratas europeus para uma conferência em Estocolmo "a fim de salvar a democracia em Portugal"... O encontro realizou-se no Verão de 1975 e entre os presentes estavam, para além do anfitrião, Olof Palme, o alemão Willy Brandt, Harold Wilson da Grâ-Bretanha, Ytzhak Rabin, de Israel, e constituiu "uma das maiores junções de força de sempre da social democracia europeia". (7)

(7) In "Suécia e Portugal", editado pelo Instituto sueco por ocasião da Presidência sueca da UE no primeiro semestre de 2001.

 

As declarações e conferências de imprensa após a reunião abordaram a situação crítica que a jovem democracia portuguesa atravessava e muitos dos seus participantes tiveram, de uma forma ou de outra, um papel activo na tentativa de influenciar a evolução dos acontecimentos, mantendo contactos, em muitos casos, quer com os Estados Unidos, quer com a União Soviética.

Na década de 80, regressaram as visitas de Estado dos dois parceiros da EFTA, tendo os Monarcas suecos efectuado uma deslocação oficial a Portugal, em Setembro de 1986, de 29 de Setembro a 5 de Outubro, e terminado a deslocação na Madeira, em missão não oficial.

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O Presidente da República, Mário Soares - que tinha nutrido sentimentos especiais pela Suécia desde a oposição ao regime de Oliveira Salazar e visitado o país na qualidade de Primeiro Ministro em 1985 - retribuiu com uma visita oficial ao Reino da Suécia de 9 a 12 de Outubro de 1990.

   

 

Durante a visita, o então Presidente da República acentuou a sua agenda nos interesses comuns dos dois países, nomeadamente na cooperação em África, na defesa dos direitos humanos, fazendo pressão junto do Governo de Ingvar Carlsson para o maior envolvimento da Suécia na autodeterminação de Timor Leste, uma maior participação da Suécia na Europa (A Suécia nesta altura não tinha ainda aderido à CEE) e, finalmente, colocando em diversas ocasiões a questão das "razões que levariam o Comité Nobel a não ter ainda atribuído o Prémio Nobel da Literatura a um escritor lusófono e porque não a um português". Viria a obter resposta 8 anos depois com a atribuição do Prémio Nobel da Literatura em 1998 ao escritor José Saramago, que acabou também por constituir um dos momentos altos das relações entre os dois países. A cerimónia de entrega do Prémio trouxe a Estocolmo, as mais altas individualidades portuguesas.

 

No dia 21 de Abril de 2008, e no âmbito da preparação da Visita de Estado a Portugal dos Reis da Suécia, o Embaixador de Portugal em Estocolmo e  Senhora José Carlos da Cruz Almeida e Mulher ofereceram na sua Residência um jantar em honra de suas Majestades.

 

De 04 a 07 de Maio de 2008, teve lugar a Visita de Estado a Portugal de suas Majestades os Reis da Suécia, Carlos XVI Gustavo e Sílvia, a convite do Presidente da República e da Dr.ª Maria Cavaco Silva.

No dia 05 de Maio de 2008, o Rei recebeu honras militares no exterior do Mosteiro dos Jerónimos, depôs uma coroa de flores no túmulo de Luís de Camões, e visitou os claustros do Mosteiro. Depois, no Palácio de Belém, os dois casais estiveram reunidos, antes do início do encontro entre o Presidente da República e o Rei da Suécia, após os que os dois Chefes de Estado prestaram declarações aos órgãos de informação. Os dois casais almoçaram, a sós, na residência do Palácio. *

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© 2006-2010 Presidência da República Portuguesa

 

No mesmo dia, o Presidente da República e a Dr.ª Maria Cavaco Silva ofereceram um banquete aos Reis da Suécia no Palácio Nacional da Ajuda, no início do qual o Presidente Aníbal Cavaco Silva e o Rei Carlos Gustavo proferiram discursos. *

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© 2006-2010 Presidência da República Portuguesa

  

(Clique aqui para ver o discurso do Presidente da República)

No dia 06 de Maio de 2008, os Reis da Suécia, Carlos XVI Gustavo e Sílvia, ofereceram ao Presidente da República e Dr.ª Maria Cavaco Silva um banquete de retribuição, no âmbito da visita de Estado que realizaram a Portugal, o qual decorreu num hotel de Lisboa, que serviu de residência oficial para os monarcas suecos. *

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© 2006-2010 Presidência da República Portuguesa
* Fonte: Página da Presidência da República Portuguesa

 

 

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