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A Rainha Cristina e os Jesuítas portugueses

 

A conversão da Rainha Cristina da Suécia ao catolicismo e a influência de Jesuítas portugueses na sua formação.

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São conhecidas as influências que tiveram alguns jesuítas portugueses no processo de conversão da rainha Cristina ao catolicismo, nomeadamente do padre António Macedo, o primeiro padre católico que estabeleceu contacto pessoal com a rainha Cristina e que exercia as funções de capelão da legação de Portugal em Estocolmo e, mais tarde, do Padre António Viera, que se viria a tornar seu confessor em Roma.

O Padre António Macedo, manteve contactos privilegiados com a corte e pessoais com a Rainha Cristina, transmitindo-lhe os princípios da fé católica, a ponto de criar um fascínio na Rainha que a levaria a converter-se.

António Macedo não era um padre de legação qualquer. Foi escolhido para a missão em Estocolmo com muito cuidado. Ele dominava totalmente o latim, tinha uma carreira académica coroada com uma cátedra em filosofia e já tinha tido tempo para trabalhar como missionário em África.

O sábio capelão da legação portuguesa em Estocolmo conheceu o Lars Skytte em Portugal. Parece-se que o franciscano sueco deu bons conselhos em Lisboa ao seu amigo português antes da sua viagem para Estocolmo. Lars Skytte (1) tinha crescido perto da corte, com um pai que era comandante na corte, com um tio que era conselheiro do estado e igualmente com uma mãe que pertencia à importante família Posse, uma família das quais muitos membros fugiram para o Sigismundo e a Polónia. Tudo isto faz com que seja natural supor que o Lars Skytte fornecesse o padre Macedo com informação valiosa sobre os labirintos da corte, como sobre a política, a religião e a cultura nórdica. Se poderá supor que a rainha tenha falado com o padre Macedo sobre o amigo comum, Lars Skytte, e sobre como a sua vida como católico e homem da ordem se desenvolveu.aguçada sobre a conversão do Skytte:
"Os convergentes parecem-se com mulatos pele branca e lã!"...

(1) Primeiro enviado da Suécia a Portugal, que acompanhou a primeira Embaixada de Portugal a Estocolmo, no seu regresso a Lisboa.

Foi na sequência da relação privilegiada nutrida com a rainha que, no verão de 1651, o padre António Macedo deixou em segredo Estocolmo para se deslocar a Roma. Levava com ele uma carta pessoal da rainha Cristina para o general da ordem jesuíta com o desejo de que dois jesuítas italianos fossem enviados para a capital sueca para iniciar a rainha na fé católica.

A 6 de Março 1652 chegaram, como resposta ao desejo da rainha, dois italianos jesuítas à capital sueca. Ambos os padres - François da Malines e Paolo Casati - estavam vestidos com trajes nobres e integraram-se rapidamente na corte cosmopolita em Estocolmo. Durante os dois meses posteriores os padres tiveram "longas e regulares" conversas com a rainha, durante as quais ela mostrou "a perspicácia do seu intelecto" como também o seu profundo conhecimento da fé católica, adquiridos, nomeadamente, através dos seus contactos com o jesuíta português. No final deste tempo ela resolveu, consoante informações dos padres, aceitar a fé católica.

No entanto, não foi só em Estocolmo que um jesuíta português teve influência na evolução da fé religiosa da Rainha Cristina. Já em Roma, onde se refugiou depois de abdicar, o Padre António Vieira, foi confessor da Rainha.

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Impedido de falar pela Inquisição em Portugal, o pregador jesuíta refugia-se em Roma onde a sua reputação e o êxito são tão grandes que o Papa concorda em não o retirar da sua jurisdição.

António Vieira chegou à cidade em 1669 e a sua fama de pregador chega aos ouvidos de Cristina da Suécia. Na época, António Vieira prega em italiano, a rainha escuta alguns dos seus sermões e convida-o para seu pregador.

O padre António Vieira tenta resistir, mas a rainha Cristina "prende-o" no seu selecto salão literário e insiste em torná-lo seu confessor.

Vieira pregou especialmente para a Rainha na quaresma do mesmo ano em que chegou a Roma, e por insistência dela junto ao Geral, - que novamente exigiu de Vieira um ato de obediência -, tornou- se pregador de sua corte. Estreou com uma série de sermões intitulados "As cinco pedras de David". Incluído no seu círculo, a que chamava Academia da Arcádia para filosofia e literatura, o Padre Vieira travou um debate filosófico que lhe valeu aplausos. Nessa Academia os grandes letrados discutiam os problemas mais diversos e faziam conferências para um círculo selecto da nobreza romana.

É assim relatado um dos sermões do Padre António Vieira na presença da rainha Cristina:

"Demócrito ria, porque todas as coisas humanas lhe pareciam ignorâncias; Heraclito chorava, porque todas lhe pareciam misérias: logo maior razão tinha Heraclito de chorar, que Demócrito de rir; porque neste mundo há muitas misérias que não são ignorâncias, e não há ignorância que não seja miséria".

Soto Maior teve o seu desejo satisfeito. Faleceu de forma tranquila e suave na sua residência em Norrlansgatan, no dia 20 de Janeiro de 1984."

Cristina sente vontade de aplaudir a tirada oratória que acaba de escutar. Não o faz porque quer manter o tom algo solene da reunião que ela própria provocou.

António Vieira prossegue o discurso, inflamado e lógico. Ouve-o atentamente, um colega jesuíta, o padre Jerónimo Catâneo. Poucos minutos antes, este defendera o riso de Demócrito perante os males do mundo - agora, Vieira, defende o pranto e as lágrimas de Heraclito perante os mesmos males. Ambos tinham sido desafiados por Cristina Alexandra - um advogaria o riso, outro o choro. O salão está repleto de personalidades convocadas pela ex-rainha da Suécia para ouvirem os dois oradores sagrados de renome.

 

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