Embaixada de Portugal em Estocolmo - Suécia

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Curiosidades Históricas


1. A descrição da Lapónia por Damiao de Goes

No livro "Lamentações da miséria do Povo Lapão (Deploratio Lappieanae Gentis), editado em 1540, Damião de Góis descreve assim pormenores sobre a Lapónia, aparentemente na sequência da sua viagem à Suécia no princípio do Século XVI:

(...) em vez de cavalos usam uma espécie de animal que na sua língua chamam de rena. Esta espécie de asno em tamanho e cor, possui chifres parecidos com os dos veados. Os chifres que são cobertos com uma espécie de penugem, são menores e com menos ramificações dos que os dos veados. As renas são tão rápidas que em 12 horas podem arrastar um trenó numa distância de 30 milhas alemãs. Elas vão adiante, devagar ou rapidamente, provocando um estalo, vindo da articulação das pernas, parecido com aquele quando se quebram nozes. (...)

(...) os lapões são nómadas, vivem em tendas pois não têm nenhuma utilidade para casas (...)

(...) eles não possuem outro meio de sustento para além da caça, aves e pesca (...)

(...) o casamento é sagrado e são extremamente ciumentos (...)

(...) os habitantes da região são fortes mas baixos e usam o arco e flecha com extrema habilidade (...)

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(1) Ver também "Breve abordagem histórica das Relações Diplomáticas Portugal Suécia".

 

2. A Ordem de Coldinu

Excerto do livro "Bland hederligt folk", de Anders Simonsen, sobre a vida associativa da classe alta de Gotemburgo de 1755 a 1820:

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"O costume da Ordem de Coldinu de plantar cruzes verdes ou brancas com uma borda branca ou verde no arquipélago na grande data solene da Ordem, dia 14 de Agosto, é uma tradição ininterrupta do arsenal marítimo do Príncipe Henrique. A importância na técnica de navegação hoje em dia é de carácter menor mas a plantação simbólica de cruzes continua como uma tradição ainda hoje. O Príncipe Henrique ou Henrique o Navegador, como também era conhecido, foi governador em Sagres, que era a sua cidade de residência no então reino do Algarve, na zona sudoeste da península ibérica. Ele erigiu durante a primeira metade do século XV, o primeiro observatório de astronomia de Portugal e também um arsenal marítimo. Aí, teve a seu cargo, a formação de competentes marinheiros e matemáticos.

Quase anualmente o Príncipe Henrique enviava expedições a sul e à costa Africana, até ao Senegal e à Gâmbia. Também a Madeira, os Açores e Cabo Verde foram na altura tomados em posse. Foi por mérito do Príncipe Henrique que os portugueses começaram as suas viagens dos Descobrimentos que depois da sua morte levou à descoberta do caminho marítimo para a Índia.

As cruzes eram colocadas como marcos nas expedições marítimas e descobrimentos para mostrar a outros navegadores que o lugar estava explorado de uma forma ou outra, e também que dado o caso poderiam corresponder com os mapas que continuamente eram desenhados e actualizados."

 

3. A Ordem d´Amarante da Rainha Cristina

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Durante uma festa no Castelo de Estocolmo em 1653 a Rainha Kristina apresentou-se como a pastora d'Amarante - escolheu o nome como cortesia a um novo protegido, o embaixador Pimentel nascido em Amarante em Portugal. Durante a festa dançou-se uma gavota com 14 pares escolhidos, que foram nomeados "pares Ordem d' Amarante" pelo camareiro Christoff Delphicus Dohna. Os quais formaram a base da galante ordem da corte (mais tarde a ordem do estado), que depois foi fundada. A ordem era atribuída a pessoas principescas, embaixadores estrangeiros e suecos eminentes. Quando Cristina se mudou da Suécia "La Frairie d'Amarante" foi dissolvida.

 

4. O primeiro prémio Nobel

A primeira distribuição dos prémios Nobel pela Academia Real das Ciências, em 1901, foi assim reportada para Lisboa pelo então Embaixador de Portugal em Estocolmo, António de Castro Feijó:(2)

"Em sessão solemne da Academia Real das Sciencias realizou-se hontem à noite a primeira distribuição dos prémios Nobel, com a assistência do Princípe Real e da Côrte, do governo e do Corpo Diplomático, e de representantes de todas as corporações scientificas e litterárias de Stockholmo. Foram contemplados: com o prémio da "physica", o professor Rötgen, da Universidade de Munich, descobridor do Raio X, com o prémio da "Chimica", o sábio hollandês van Hoff, autor do célebre livro "a chimica no espaço" e descobridor das leis da chimica dynâmica, com o prémio da "medicina" o professor alemão Behring, descobridor do soro anti-dyphtérico, com o prémio da "litteratura idealista" o poeta francês Sully-Prud'homme. Estes primeiros prémios foram cerca de 200.000 prémios cada um."

(2) Telegrama enviado ao MNE a 11 de Dezembro de 1901

Em 1949 seria atribuído o primeiro prémio Nobel atribuído a um português, no sector da Medicina: Egas Moniz.

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O Nobel foi atribuído na sequência das investigações e descobertas do médico na área da "terapia leucotomia em certas psicoses".

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Fotografia da cerimónia de entrega do Prémio Nobel - 1949

Nobel Museum  www.nobel.se

 

Em 1998, foi atribuído ao escritor português José Saramago o Prémio Nobel da Literatura.

 

5. Das Cartas de Carl Israel Ruders

Carl Israel Ruders, Sacerdote sueco (1761-1837). Capelão da legação da Suécia em Lisboa de 1798 a 1802, compilou no livro Portugisisk Resa (Viagem a Portugal) - (1805/...) - várias cartas em que descrevera o meio cultural português da época.

Na sua carta nr. 38, traduzida por António Feijó e publicada em 1912 no Diário de Notícias, Ruders descreve de uma forma muito completa o trabalho das companhias que actuavam no Teatro de São Carlos, ou como se dizia naquele tempo no teatro italiano, ou lírico. Os anos de 1801 a 1806 representam a primeira época de ouro para a ópera em Portugal, tendo passado nesses anos pela capital portuguesa os melhores cantores, bailarinos e actores da época, muitos dos quais continuariam a ter uma carreira brilhante em várias partes do Mundo.

(...) Lisboa, 9 de Março de 1802

Nos últimos meses não faltaram espectáculos ao público de Lisboa; contam-se agora na cidade nada menos de quatro teatros. Além daqueles a que me tenho referido nestas cartas, existe mais um, construído em fins do Verão passado para representações portuguesas, na parte sul da cidade, um pouco para cá de Belém.

Não conheço a nova empresa, que provavelmente se destina aos moradores desses sítios, pertencentes quase todos à classe média. Os nobres, que na sua maior parte têm as suas casas nos aros desse arrabalde, não costumam frequentar espectáculos portugueses. Verdade seja dita, a companhia italiana, há algum tempo para cá, tem-se, distinguido muito com uma série de novas e brilhantes produções.

(...) No dia 31 de Dezembro, tanto o Crescentini como a Catalani, passaram também pelo desgosto de ver numerosos espectadores abandonarem o teatro ao começar a representação de Cleópatra. Para esta demonstração, porém, o público tinha justificados motivos, porque a Catalani, ou por ter subitamente adoecido ou por estar de mau humor, quase que não abria a boca para cantar, não se importando também absolutamente nada com a acção. A seu turno, Crescentini entendeu que devia igualmente deixar-se contagiar pelo mesmo capricho. Daí, o trabalho de Praun tomou-se também mais apagado, - como poderia ele empregar qualquer esforço vendo-se rodeado de criaturas inanimadas? Era impossível, por mais pacientes que fossem os espectadores, suportar tão miserável espectáculo.
Contudo, não deram mostras violentas do desagrado. Alguns levantavam-se e partiam tranquilamente; outros ao sair batiam com as portas mal-humorados; muitos aplaudiam com toda a força gritando Dacapo! justamente quando o canto era pior; o maior número punha-se a rir.
A maior parte da peça foi suprimida. As cenas ficaram sem a menor relação de sequência umas com as outras, e para cúmulo de não-senso Cleópatra e António morriam de pé. Quando o pano caiu, estalou uma nutrida salva de palmas, mistura com insistentes chamadas para forçar os actores a virem à cena receber os aplausos irónicos do público. Mas nessa não caíram eles...

Mais seriamente manifestaram os espectadores a sua indignação na noite de 7 de Fevereiro, em que devia representar-se a Semiramis, quando à última hora, pouco antes de começar o espectáculo, apareceu um contra-anúncio dizendo que a Catalani, por incómodo de saúde, não podia cantar.
Precisamente quando o pano subia, a mais terrível tempestade de assobios e pateada rebentou na sala, redobrando a violência quando Semiramis entrou em cena, fugindo à sombra do marido assassinado e contudo a actriz, recobrando o ânimo, avançou com passo firme para o proscénio e começou a arengar para o público em italiano: Meus senhores, dizia ela, não é culpa minha, mas do empresário que não providenciou a tempo para a mudança do espectáculo.
Dentre os espectadores, o maior número respondeu com palmas à arenga da actriz, reservando-se para fazer sentir depois a Crescentini a pior explosão da sua cólera. Assim, quando ele apareceu em cena, foi recebido com demonstração da mais viva indignação.
Durante um bom bocado, apesar dos seus gestos humildes, não conseguiu meio de se explicar. Mas por fim, sempre se fez um certo silêncio, e o homem pôde então proclamar a sua inocência, alegando a impossibilidade de montar uma peça nova e obter para ela autorização do Inspector do Teatro no curto espaço de uma tarde. Além disso, convidou quem não estivesse satisfeito a ir à bilheteira receber o seu dinheiro. Alguns barulhentos contentaram-se com as explicações, outros, porém, mostraram-se ainda mais indignados por causa do convite. Os piores eram os oficiais dum regimento de Cavalaria, que tinham vindo da fronteira espanhola, e que por isso se julgaram logrados. Em consequência da distância a que se encontra o corpo a que pertencem, raras vezes, ou nunca, podem ter ocasião de ouvir a célebre cantora, e viam-se ali, na plateia, reunidos em numeroso grupo, assistindo ao mais reles espectáculo que jamais podia oferecer-lhes, sem esperança de verem realizados os seus desejos de ouvir a Catalani, porque já no dia seguinte tinham de deixar a capital.

(...) Para os artistas que vêm a Lisboa (cantores ou dançarinos) é quase regra estabelecida que depois de permanecerem aqui algum tempo passam a Londres, onde, além de mais dilatada reputação, conseguem auferir ainda maiores honorários. Os ingleses que aqui aprendem a conhecê-los parece terem a pretensão de que Londres, reunindo todos os maiores artistas teatrais, mesmo a esse respeito tenha supremacia sobre todas as outras cidades.

Os artistas, é claro, não fazem grandes dificuldades em se deixar convencer, à vista do número de guinéus que eles lhes oferecem.

(...) O tempo da Quaresma decorre agora sem nenhuma espécie de divertimentos a menos que se não queira incluir nesta categoria as procissões públicas, que se celebram em honra dos santos.
Não tenho por isso nesta matéria mais a acrescentar. (...)

 

6. Imperador do Brasil

Dom Pedro II, Imperador do Brasil, filho de Dom Pedro IV de Portugal e de Dona Leopoldina.

Aparentemente Dom Pedro II, Imperador do Brasil, falava sueco, a avaliar por uma carta que lhe foi endereçada por Camilo Castelo Branco:

    "Meu Senhor,
    (...) Ontem recebi da Suécia a versão do meu "Amor de Perdição". Permita-me Vossa Majestade que lha ofereça. Provavelmente é Vossa Majestade o único intérprete que esse livro terá em Portugal. Vejo (sic) as mãos de Vossa Majestade, com o mais profundo respeito, e entranhada veneração".


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Camilo Castelo Branco

 

7. Arte portuguesa no Metro de Estocolmo

Em 1992 iniciou-se entre as redes de Metropolitano uma política de intercâmbio cultural.

Ao Metropolitano de Estocolmo, o Metropolitano de Lisboa ofereceu um trabalho da autoria de Dimas Macedo, inaugurado na estação Friedhemsplan a 25 de Junho de 1997. Trata-se de um mural em cerâmica, com 25 metros de comprimento, e de uma escultura em terracota que representa Linnaeus (Carl von Linné 1707-1778), o célebre botânico e cientista sueco, que criou um sistema de classificação de plantas e animais usando uma nomenclatura binominal. Diz o artista sobre a sua intervenção "Escolhi como tema esse famoso botânico e cientista sueco, símbolo de um povo amante da natureza. Será também uma homenagem que Portugal fará ao povo sueco."

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"Linnaeus" escultura em terracota e Painel de Cerâmica, Dimas Macedo, paentes na estação de metro de Fridhemsplan, Estocolmo 

 


8. Primeira participação portuguesa nos Jogos Olímpicos

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A primeira participação portuguesa nos Jogos Olímpicos aconteceu em Estocolmo 1912.

Francisco Lazaro participou na maratona Olímpica de 1912 em Estocolmo e que em 1910 havia ganho o primeiro campeonato português em 2:57.35. Como em Estocolmo estava muito quente e sol, Lazaro decidiu untar-se com óleos e graxas para se proteger e quando chegou à linha de partida o seu técnico ainda tentou limpar ou tirar os óleos, mas sem sucesso, pois os pretensos produtos protetores do sol vedaram o suor e a pele de respirar e Lazaro faleceu.

No dia 20 de julho, 24.000 pessoas foram ao Estádio prestar as homenagens póstumas a Lazaro a primeira vítima dos Jogos Olímpicos. O Comité Olímpico relata assim o acontecimento:

"Once again there was drama in the marathon. Under a leaden sky 21-year-old Francisco Lazaro of Portugal fell victim to the heat. He collapsed and died the next day in hospital."

 

 

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Destaques

Redes de Cooperação Cultural Transnacionais: Portugal europeu, lusófono e iberoamericano

Este é um projeto de investigação de pós-doutoramento, apoiado pela FCT com a referência SFRH/BPD/101985/2014, que está a ser desenvolvido em Portugal (CECS-UM), em Espanha (FCC-USC) e no Brasil (ECA-USP) https://culturalcooperationnetworks.wordpress.com/sobre/.

O projeto visa, através do diagnóstico de fatores críticos de sucesso do processo de comunicação no seio de redes e entre redes, fomentar e qualificar as práticas de trabalho em rede dos profissionais e das organizações do setor cultural e criativo portugueses, apoiando a aquisição de aptidões, competências e conhecimentos que concorram para facilitar o acesso mais generalizado às oportunidades profissionais e para promover a cooperação cultural nacional e transnacional. O plano de trabalhos da investigação, que se iniciou em fevereiro de 2015 e termina em janeiro de 2021, integra a realização de três Congressos Internacionais:

  • O primeiro em Portugal, no ano de 2016;
  • O segundo em Espanha, no ano de 2018;
  • O terceiro no Brasil, no ano de 2020.

Os congressos visam promover a discussão crítica e construtiva sobre as redes de cooperação cultural transnacionais, respetivamente, no contexto lusófono, no contexto europeu e no contexto iberoamericano.

O Congresso Internacional - "Redes de Cooperação Cultural Transnacionais: Um olhar sobre a realidade lusófona" ocorrerá no dia 16 de novembro de 2016 na Sala de Atos do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho (Braga - Portugal).

A Comissão Científica do Congresso convida todos os interessados a apresentar comunicações que sejam contributos substantivos para a reflexão e intervenção no domínio da gestão de redes culturais, nomeadamente no que concerne a aspetos relacionados com os seguintes tópicos:

  • Políticas Culturais;
  • Cooperação Cultural;
  • Comunicação Intercultural;
  • Comunicação Estratégica e Organizacional;
  • Capacitação dos profissionais do setor cultural e criativo;
  • Mobilidade e Internacionalização

Apresentação

As redes, enquanto modelo de organização social, e a cooperação, enquanto forma de intervenção cultural, não são invenções contemporâneas, mas é indiscutível que a revolução tecnológica que se iniciou na década de sessenta do século XX provocou alterações significativas nos processos de comunicação contribuindo de forma decisiva para fazer surgir uma nova estrutura social dominante, que apesar de ter contradições representa uma transformação qualitativa da experiência humana; e para que o processo de globalização tenha adquirido uma dinâmica tal que se tornou inevitável a procura de novas e mais imaginativas estratégias para fazer face aos efeitos da glocalização. A promoção de redes de cooperação cultural - formais ou informais e de escala local, regional, nacional ou transnacional -, mais que um perigo, deve por isso ser encarada como uma oportunidade, tanto mais que estas podem potenciar o amplamente reconhecido papel que a cultura pode ter, nomeadamente, no desenvolvimento sustentável à escala local, regional ou transfronteiriça.

A implementação e a participação em redes depende de múltiplos fatores, como por exemplo a afinidade entre os integrantes ou disponibilidade para promover processos de mudança de forma a desenvolver programas de melhoria continuada, sendo que aspetos relacionados com os processos de comunicação e de liderança, associados a dificuldades técnicas e de confiança entre os membros das redes, têm sido apontados como alguns dos entraves à cooperação em rede. Estas poderão ser algumas das condicionantes que têm contribuído para que o trabalho em rede em Portugal no setor cultural esteja, à primeira vista, a ser entendido mais na perspetiva da criação de um conjunto de infraestruturas do que o estabelecimento de uma teia densa de relações; e para que a participação portuguesa em redes de cooperação cultural transnacionais possa estar em linha com a fraca internacionalização dos profissionais do setor cultural e criativo nacionais e europeus.